Qualcomm usa IA para aumentar o FPS em jogos de celular Android
Adreno Neural Fusion leva super resolução e geração de quadros, como o DLSS dos PCs, a celulares com Snapdragon 8 Elite Gen 6. Entenda como funciona.
Quem joga no computador já conhece o truque: usar inteligência artificial para deixar o jogo mais fluido sem precisar de uma placa de vídeo mais cara. Agora, essa ideia está chegando com força aos celulares. A Qualcomm lançou o Adreno Neural Fusion (ANF), uma tecnologia que usa IA para aumentar a resolução e a quantidade de quadros por segundo em jogos Android. As informações são do Adrenaline.
O que é o Adreno Neural Fusion
O ANF é um kit para desenvolvedores de jogos (o chamado SDK). Ou seja, não é um botão que você liga no celular: cada jogo precisa adotar a tecnologia para que ela funcione.
Ele reúne duas técnicas:
- Super resolução: o jogo é desenhado numa resolução menor, mais leve para o processador, e a IA reconstrói a imagem em alta resolução.
- Geração de quadros: a IA cria um quadro "intermediário" entre dois quadros reais, dobrando o número de imagens exibidas por segundo.
Segundo a Qualcomm, as duas podem ser usadas juntas. Nesse caso, o jogo renderiza em meia resolução e só metade dos quadros que aparecem na tela são "de verdade".
Parece com o DLSS? É de propósito
Quem acompanha o mundo dos PCs vai reconhecer a fórmula. Como destaca o Adrenaline, a lógica é a mesma do DLSS, da NVIDIA, e do FSR, da AMD, tecnologias que existem há anos nos computadores e consoles.
A diferença está no hardware. Nos chips compatíveis, a IA roda em núcleos dedicados dentro da GPU (a parte gráfica do processador), e a tecnologia usa uma memória rápida dentro do próprio chip para evitar idas e vindas à memória do celular. O objetivo é gastar menos energia, algo essencial num aparelho que funciona na bateria e esquenta fácil.
Quais celulares vão ter
Por enquanto, o suporte vale para o Snapdragon 8 Elite Gen 6 e chips mais novos, ou seja, celulares topo de linha. A Qualcomm diz que pretende levar a tecnologia a outros processadores Snapdragon, mas não deu prazo.
Para os desenvolvedores, há integração com os motores gráficos mais usados do mercado, o Unreal Engine 5 e o Unity, o que pode acelerar a adoção.
Nem tudo são flores
A geração de quadros tem um custo conhecido. A própria Qualcomm reconhece que a técnica adiciona um pequeno atraso entre o toque na tela e a resposta do jogo, equivalente a um quadro. Além disso, os quadros criados pela IA deixam a imagem mais fluida, mas não fazem o jogo "pensar" mais rápido.
Na prática, isso significa:
- ótimo para jogos de aventura, RPG e mundo aberto, em que a fluidez visual faz diferença;
- menos indicado para jogos competitivos, como tiro e luta, em que cada milissegundo de resposta conta.
O que isso significa para quem joga no celular
O Brasil é um dos maiores mercados de jogos mobile do mundo, com títulos como Free Fire, Call of Duty Mobile e Genshin Impact entre os mais jogados. Tecnologias como o ANF podem trazer três benefícios:
- gráficos melhores sem precisar de um celular ainda mais potente;
- mais quadros por segundo em jogos pesados;
- potencialmente menos aquecimento e consumo de bateria, já que o chip trabalha menos para entregar a mesma imagem.
O problema é o tempo. Como depende dos desenvolvedores e, por enquanto, só funciona em celulares caros, a novidade deve demorar a chegar à maioria dos jogadores brasileiros, que usam aparelhos intermediários.
Uma tendência sem volta
O movimento da Qualcomm mostra para onde a indústria está indo: em vez de depender só de chips cada vez mais potentes, as empresas usam IA para "trapacear" de forma inteligente, entregando mais com menos. Foi assim nos PCs, está sendo assim nos consoles, e agora chega aos celulares. Se a tecnologia se espalhar para os modelos intermediários, quem joga no celular tem bons motivos para comemorar.
Com informações de Adrenaline.


